Carnaval 2027
O Enredo
Conheça a história, a sinopse e o samba-enredo da Acadêmicos da Rocinha.
Enredo 2027
Sou Império, Sou Unidos e Jovem! A Borboleta a Caminho da Glória
O Grêmio Escola de Samba Rocinha, no Carnaval de 2027, contará um pequeno, porém valoroso pedaço de sua comunidade. Vamos relembrar o maior movimento cultural da história de nossa comunidade: Rocinha nos anos 60, 70 e 80.
Mais uma vez, iremos mergulhar na história da maior favela da América Latina, pois aqui não faltam histórias e personagens. Alguns são saudosas memórias e outros ainda atuam em nossa escola. É hora de olhar para dentro, valorizando todo o potencial que temos em nossa comunidade, e resgatar lembranças, lutas e o amor ao carnaval.
Com o enredo “Sou Império, Sou Unidos e Jovem! A Borboleta a Caminho da Glória”, a Rocinha pisará forte na Intendente Magalhães para representar a força e a história da sua comunidade.
Carnaval 2027
A arte do enredo
A narrativa do desfile
Sinopse do enredo
Carnavalesco: Romulo Roque
Enredista: Fabiana Souza
Entre morros, veredas e o mar, nascia uma favela que já estava predestinada a voar. Passou pelas mãos dos povos originários, como os Tamoios, portugueses e franceses. Até que começou a ser moldada por outras mãos, de muitas Marias e Joãos, que cultivavam legumes e hortaliças na região com suas ladeiras íngremes, que quebravam cangalha. Daí o nome da fazenda onde ela nasceu.
Os feirantes da Gávea, para onde a produção era levada e vendida, ficavam curiosos em saber: “De onde vêm essas maravilhas? Ah, vêm da minha roça, da minha rocinha.”
Da antiga fazenda Quebra-Cangalha, muitos lotes foram vendidos, outros ocupados sem o pagamento combinado e, com isso, muita gente foi chegando. E cada vez mais. Gente de todos os cantos, especialmente do Nordeste. Os nordestinos que migraram para construir a cidade encontraram acolhida e moradia nesta região. Com isso, outros conterrâneos também vieram, trazendo malas cheias de sonhos e buscando melhores oportunidades.
Suas terras foram invadidas, saqueadas, loteadas, ocupadas, catequizadas, povoadas e até ameaçadas. O progresso foi chegando e a terra se transformando. Ganhou asfalto, novos contornos nas corridas automobilísticas e no Circuito da Baratinha. A abertura de vias e túneis, como o Rebouças e o Dois Irmãos, atraiu mais moradores. Com isso, os problemas de infraestrutura ganharam destaque e se tornaram uma questão social a ser combatida.
Em meio ao descaso, entre ruas e vielas, ela crescia e se organizava como podia. Sem saneamento, sem água e sem luz, mas seguia. Queria ser voz de muitos e clamava por melhorias. Nunca se calou e reivindicou todas as vezes que foi preciso defender seus moradores. No fundo, sempre soube que venceria, mesmo que fosse sozinha.
Nesse Brasil tão plural, onde o talento é algo natural, a cultura foi o meio pelo qual a comunidade se organizou, lutou e resistiu. O brasileiro não foge do batente e consegue ser feliz no simples, mesmo em meio à escassez. E foi justamente a falta que a fez buscar e conseguir falar.
Entre conversas que iam e vinham em biroscas, tendas, armazéns, centros culturais e associações, compartilhavam-se muitos “causos”. Deles surgiam letras de músicas e poesias, obras-primas artísticas para não serem esquecidas. Enchiam de lirismo e encantamento as mais duras realidades e ajudavam a tornar a vida mais bela e leve. Lata d’água na cabeça, morro acima e morro abaixo: é difícil equilibrar, mas, com uma poesia, é mais fácil suportar.
No meio de debates e gritarias, que se faziam necessários, sempre alguém puxava um batuque no balcão ou no salão, tocando na tampa da panela com uma colher, numa garrafa ou até mesmo marcando o compasso com o corpo. Eita, que maravilha! Que som gostoso nascia. Alguém puxava um verso sobre o assunto debatido e assim seguia.
Nesse meio, sempre tinha uma tia que gostava de cozinhar e compartilhava suas iguarias com a rapaziada. Os temas eram variados: lembranças da terra natal, política e religiosidade. Assim era construído o dia a dia da Rocinha, através da pluralidade.
Em meio a essa batucada, uma força cultural nascia: os blocos de Carnaval. A comunidade, costureiras e artesãos, rimadores, tocadores e compositores se reuniam sob estandartes diferentes. Como uma chuva de confete e serpentina dos antigos carnavais, cobriam as ruas da favela de gente nos dias mais esperados do ano. Tornaram-se a maior manifestação cultural do local.
“Será que dá caldo colocar esse bloco na rua?”
Cada bloco tinha seu tempo, suas peculiaridades, cores, apoiadores e espaços. Assim foram surgindo, em meio aos banhos de mar à fantasia que coloriam o mar de papel crepom, o Bafo da Cana, o Bloco das Piranhas, o dos Estudantes e até o das Crianças. Eles animavam as ruas, aqueciam o comércio e envolviam os moradores, que se entregavam à única ordem do Momo: cair na folia.
Na Rua 2, era o lugar do Império da Gávea, com as cores azul e branco. Tinha uma coroa como símbolo e sua bateria, nomeada “Furiosa”, embalou temas como “Pedra da Gávea”, em 1962; “Os Mistérios”, em 1983; “Ary Barroso”, em 1987; e chegou a se tornar campeã, em 1986. Teve um croqui de alegoria vetado pelo serviço de censura, em 1984, devido à “exposição de nudez”, quando levou para a avenida o enredo “Quilombo dos Palmares e Arte Negra”. Como seus versos já antecipavam:
“(...) E o grito ecoou
Num soluçar de dor
A liberdade há de raiar
No céu...”
Quem diria que uma brincadeira de menino, ao comprar seis peças para batucar, daria origem a um bloco formado por entusiastas e defensores apaixonados por este estandarte? Uma enorme quantidade de desfilantes e apoiadores se divertia sob sua coroa, onde, sem distinção, todos eram reis e rainhas a ocuparem com liberdade a rua que lhes era por direito.
Na parte alta da favela, na Rua 1, organizava-se o Sangue Jovem. Nas cores vermelho e branco, tinha como símbolo um casal de crianças. Teve temas como “O Canto da Jandaia”, que lhe rendeu seu primeiro campeonato, em 1982; “Minha Querida Bahia”, que o fez bicampeão no ano seguinte; “Os Tambores de São Luís”, em 1984; “Máscaras”, em 1985; e “Maranhão, Seu Folclore e Sua Gente”, em 1986. Em 1980, desfilou com o enredo “Feitiço Negro”, trazendo importantes reflexões sobre a história do negro em nosso país:
“Na senzala foi escravo
No quilombo foi senhor.”
Quando descia pela rua principal da Rocinha, as pessoas se aglomeravam para assistir à alegria de uma juventude vibrante, que enchia os olhos de crianças e adultos. Espremidas entre barracas que vendiam caldos e outras comidas, as pessoas cantavam e sambavam ao som da bateria. O bater dos tamancos de madeira, característico das mulheres que desfilavam, anunciava a chegada do bloco. Ninguém queria perder um minuto daqueles momentos que marcaram uma geração.
O tempo foi passando e, de um bloco chamado Coração das Crianças, na Rua 3, nasceu o Unidos da Rocinha, que tinha como símbolo o pandeiro e duas baquetas, nas cores verde e branco. Chegou elevando o nível do Carnaval, pois até alegorias colocava no local. Apresentou temas como “Um Domingo de Sol”, em 1986, que o tornou campeão pela primeira vez; “Com Amor e Todo Respeito”, em 1987; e “As Maravilhas do Rio de Janeiro”, em 1983, exaltando nossa cidade:
“(...) Tia Ciata, tabuleiro da baiana
A Praça Onze, berço do carnaval
Maravilha das maravilhas
És meu Rio tropical. (...)”
Componentes extasiados desfilavam suas cores, cheios de orgulho pela comunidade que representavam. A emoção comovia e movia todos na mesma direção: fazer melhor a cada ano para ser campeão. A camaradagem, a amizade e a união prevaleciam, porque o importante era “botar o bloco na rua”.
Em meio a tantas formas de expressão, por que não unir as forças? Não foi fácil juntar ideologias diversas, superar vontades próprias em favor de um único propósito e virar uma só bandeira. No fim, o amor e a união venceram. A união dos três blocos fortaleceu o interesse social e a tradição, sem perder a garra, o sorriso e a vontade de vencer.
Costura daqui, costura dali... foi tenso, os nervos à flor da pele em meio às reuniões. Nesse processo, um “capitão” conseguiu fazer a união e, então, a maior favela da América Latina ganhou sua escola de samba. Deu bingo: acertaram na milhar 13! 13? Por quê?
Porque eu sempre estive acompanhando esse processo. Fui escolhida porque sou a transformação que sempre permeou a cultura deste chão. Ganhei forma em um prazo de 72 horas e tive meu primeiro carnavalesco, um tal João. Leveza e união foram as ideias pensadas na minha criação. Meu lema, “A Caminho da Glória”, já me fez nascer entrando para a história.
Para a história de uma gente que não desanima, que segue em frente apesar de tudo e que entende que só a união nos faz crescer. Fui e sou testemunha do meu povo, que, tal qual uma borboleta, precisa passar por fases de transformação para ganhar asas e alcançar grandes voos. Às vezes há momentos de grandes desafios, mas nunca se perde a grandeza própria daqueles que nasceram predestinados a voar.
Ah! Eu sempre fui patente alta. Tive três madrinhas do coração: Beija-Flor, Mocidade e Salgueiro. Cada uma designada a um bloco que me deu origem. Ganhei o azul do Império da Gávea, o verde do Unidos da Rocinha e o branco do Sangue Jovem. Pronto: estava formada!
Fui o resultado do sonho de muitos e estava pronta para conquistar todo e qualquer céu. Afinal, o céu nunca foi limite para quem tem asas. Lancei-me pelos ares e fui borboleteando até alcançar voos cada vez mais altos.
Mas minha história não acaba aqui! São 38 anos de fusão e transformação. Ela continua e se perpetua como instrumento de cultura de uma nação que novamente quer ser atração do carnaval do povão, na Intendente Magalhães. Quer fazer a maior favela do Brasil levantar na apuração, através da união e do resgate da sua história e da sua memória, a taça de campeã para um coração chamado Rocinha.
“É Rocinha na avenida com seu pavilhão a tremular. A borboleta encantada vai voar!” Mais uma vez, eu vou voar!
A trilha do desfile
Samba-enredo
Conheça a letra e ouça o samba-enredo da Acadêmicos da Rocinha.
Samba-enredo 2027
Sou Império, Sou Unidos e Jovem
Compositores: Fred Lima, Ronaldo Nunes, Marcelo Luz, Ricardo Simpatia, Luis Caffé e Gabriel Galdino.
Letra do samba-enredo
SOPREI SAUDADES AO VENTO
E O TEMPO ME TROUXE HISTÓRIA SEM FIM…
VOEI… VI O VERDE BEIJANDO O AZUL DO MAR
UM SONHO NASCIA SORRINDO PRA MIM
UM "MUCADO" DE GENTE TOCOU ESTE CHÃO
SEMEANDO A FÉ QUE NUNCA FALHA
CULTIVANDO... E EM SUAS MÃOS
SÃO FLORES E FRUTO DA “QUEBRA CANGALHA”
DO CHÃO RACHADO... OH XENTE! VIXE MARIA!
UM LEGADO MULTICOR… NESSA TERRA QUEM DIRIA
A CULTURA “CORTA” O MORRO PELAS RUAS E VIELAS
NO CONTORNO PRO AMOR NA NOSSA FAVELA!
E O SAMBA GANHA VOZ NO DIA A DIA
AO SOM DE BATUQUES, VERSOS... POESIA
NA GÁVEA O “IMPÉRIO” COROADO
EM “MISTÉRIOS DE UM SONHO ENCANTADO”
GUERREIROS DE “SANGUE JOVEM” CANTAVAM
“O CANTO DA JANDAIA” CELEBRAVAM
VI EM “TEMPOS DE CRIANÇA”
“UNIDOS DA ROCINHA” ASCENDER ESPERANÇA
ENTÃO… ACERTARAM O COMPASSO
NUM TRATO VEIO A TRANSFORMAÇÃO
SOB A BÊNÇÃO DAS MADRINHAS E A ARTE DO ETERNO JOÃO
SOMOS TODOS IRMÃOS COM A ALMA DO MORRO!
DO POVO… EU SOU A PRINCESINHA!
DESSA LINDA UNIÃO... CHEGOU NOSSA GENTE
ORGULHOSAMENTE… ROCINHA!
Acadêmicos da Rocinha
Ficha Técnica
- Presidente de Honra
- Ivan Martins
- Presidente Administrativo
- Luiz Fernando De Mello Maciel
- Vice-Presidente Administrativo
- Alexandre Leopoldino (Perna)
- Tesoureiro
- Jefferson Baquer
- Diretor de Carnaval
- Rafael Gonçalves
- Carnavalesco
- Romulo Roque
- Enredista
- Fabiana Souza
- Diretor de Harmonia
- Sérgio Carvalho
- Presidentes de Honra da Bateria
- Luís César Martins (Bolacha) e Jorge Caldeira (Mestre Jorginho)
- Mestre de Bateria
- Mestre Jhones
- Diretores de Bateria
-
Thais Rodrigues
Augusto Júnior
Samuel Rodrigues
William Taylor
Marlon Alcântara
Erick Germano
Diogo Lima
Luiz Gustavo
Geovanna Alves - Intérprete
- Hugo Jr
- Carro de Som
- Cavaco: Guiguinho; Violão: Cezinha; Apoio: Zezé Amizade, Renata Coelho e Luan.
- Rainha de Bateria
- Suelen Cecília
- Princesa da Bateria
- Laura Fagundes
- Presidente da Velha Guarda
- Sr. Carlão
- Presidente dos Compositores
- Fred Lima
- Coreógrafo da Comissão de Frente
- Júnior Barbosa
- Diretores da Ala de Baianas
- Marconi e Tati
- Diretor da Ala de Passistas
- Raphael Felizardo
- Diretora de Musas
- Quenia
- Diretor de Recursos Financeiros
- Willian Vianna
- Diretores Sociais
- Lico Paiol do Surf e Louisiana Chaves
- Diretor de Eventos
- André Nascimento
- Diretor Esportivo e de Projetos Sociais
- Paulo Roberto (Paulinho)
- Assessores de Imprensa
- Malu la Porta e Pedrinho Samboteco
- Locutor
- Pedrinho Samboteco
- Fotógrafo e responsável pelo site
- Rogério Souza
- Chefe de Ateliê
- Marcelo
- Diretor de Barracão
- Wilson Nicola
- Chefe de Protótipos
- Sérgio Machado
- Costura
- Lucia Lyra (Luluca)
Memória e criação
Imagens do carnaval
Registros de desfiles, fantasias e bastidores da escola.